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Significado: Extraordinário ou Diário?

por em 14/09/2012 – 1:06 am  Nenhum comentário
 

Kathryn Britton, MAPP '06, é engenheira de software, como coach trabalha com profissionais no aumento do bem estar, energia, e significado ((Theano Coaching LLC). Ela ensina conceitos de psicologia positiva no trabalho na Universidade de Maryland. Kathryn publicou recentemente o livro, ,Smarts and Stamina, no qual aborda o uso dos princípios da psicologia positiva para a construção de bons hábitos de saúde. Seu blog é Positive Psychology Reflections. Bio Completa.. Os artigos da Kathryn estão aqui.



Nota do Editor Este artigo continua o relato da 7 Conferência Bianual de Significado iniciado em Significado Pode Derivar do Sofrimento e Diversão.

Paul Wong

Dr. Paul Wong

O Presidente da  7 Conferência Bianual de Significado, Dr. Paul Wong, fez a abertura do segundo dia com a declaração de que trabalhou por 10 anos para reunir psicólogos positivos e psicólogos humanistas existenciais para trabalharem em direção a uma maior compreensão do significado na vida. Na busca desta meta ele estabeleceu um painel com 9 palestrantes representando de forma geral diferentes tipos de filosofia e psicologia para explorarem a questão, “O que faz a vida valer a pena?”

Diferenças de Opinião

O painel foi uma das minhas partes favoritas da conferência por ter sido dinâmico, com disputa, e provocador do pensamento. Pensando sobre as categorias de Paul Wong, eu colocaria Richard Ryan, Chris Peterson, e Dov Shmotkin na categoria da psicologia positiva, Emmy van Deurzen e Harris Friedman na categoria da psicologia existencial, e Jordan Peterson e Alan Waterman na categoria da psicologia humanista. Provavelmente estou errada, mas duvido se qualquer um deles gostaria de ser colocado em uma caixa específica!
O psicólogo clínico, Jordan Peterson, escolheu falar sobre sua experiência pessoal. Para ele o que faz a vida valer a pena é a busca pela verdade e ouvir humildemente àqueles ao seu redor, mesmo quando dizem o que ele não quer ouvir.

Chris Peterson falou como um empiricista. Ele esteve à frente de um grande projeto de campus entitulado “O que faz a vida valer à pena?” na Universidade de Michigan, onde coletou centenas de ideias dos estudantes, docentes, e funcionários. Ele classificou essas ideias em 4 categorias primárias: trabalho, amor, lazer, e serviço.

O psicólogo clínico Harris Friedman afirmou pensar que a vida inerentemente não tem significado e que as pessoas, de fato, tendem prematuramente a excluir seu significado. Sua meta é viver com a ambiguidade de não ter um significado definido.

Richard Ryan perguntou a milhares de pessoas o que faz a vida valer a pena. Descobriu que os relacionamentos tendem a ser mais satisfatórios, especificamente, quando as pessoas se importam com outros. Referindo-se a Viktor Frankl, afirmou que na vida não precisamos ter uma meta ou propósito.

  

   Drs. Shmotkin e Sundararajan

Louise Sundararajan disse que estava cansada de ouvir sobre tópicos comuns. Como psicóloga Indiana, ela é cautelosa em não impor as ideias ocidentais de mundo: “Sua liberdade não é minha liberdade.”

Referindo-se a estudos gerentológicos, Dov Shmotkin apontou que os idosos experienciam bem estar e significado na presença de relacionamentos amigáveis. Refletindo sobre a declaração de direitos inalienáveis na Declaração de Independência, ele comentou que os humanos não têm direito à felicidade propriamente dita (o resultado), apenas à busca da felicidade (o processo). Significado é um sistema funcional para nós, que nos ajuda a valorizar as diferenças, complexidades, e oportunidades da vida diária.

Todd Kashdan moderando o painel

Alan Waterman comentou  que os seres humanos que alcançam grandes auto-realizações são aqueles que mais contribuem para outros e que na verdade dão mais de si.

Quando Todd Kashdan perguntou, “Para onde vamos agora?” Emmy van Deurzen sugeriu definirmos os termos. Ela queria saber se a palestra era sobre motivação, propósito, ser impulsionado pelo passado, ou seguir em direção ao futuro. Todos nascemos, crescemos e então morremos. Significados e propósitos evoluem através de vidas singulares e ao longo da história. Podemos começar a tecer os fios juntos apenas quando concordarmos sobre termos.

Richard Ryan: Motivações por trás do Significado: Uma Perspectiva de SDT – (Teoria da Auto-Determinação)

O psicólogo Richard Ryan recebeu o Prêmio de Excelência, Lifetime Achievement Award, no banquete da conferência. Em sua palestra, ele focou nas necessidades básicas que direcionam a motivação e a experiência de significado. E mostrou as condições que facilitam ou debilitam a satisfação de cada necessidade:

Facilitam Debilitam
 
Autonomia Ausência de Pressão

Escolha de Metas

Escolha de Estratégia
Pressão por Resultados

Prazos

Recompensas Contingentes

Envolvimento do Ego
 
Competência Desafio Ótimo

Feedback Positivo

Recompensas de Informação
Feedback Negativo

Desafios Não-Ótimos
 
Relação Cordialidade

Empatia

Reconhecimento das Emoções
Interações Frias

 
Como ilustrado neste estudo com Bernstein e Brown, o bem-estar tende a flutuar em uma pessoa dependendo dos níveis de satisfação das necessidades.

Fiquei intrigada com os estudos de vídeo games e porque eles têm um apelo tão poderoso. Sua equipe de pesquisas descobriu que os jogos como o World of Warcraft são altamente motivadores, pois as pessoas têm a chance de melhorar suas habilidades, fazer suas próprias escolhas, e conectar com outros online. A equipe de Ryan descobriu que a violência não exerce papel motivacional mesmo para adolescentes do sexo masculino. Quando os jogos são reescritos o jogo de perseguir é substituído pelo de gerra, esses tendem a eliciar os mesmos níveis de motivação.

     
Allan Waterman: Teoria da Identidade Eudemônica

Alan Waterman contrastou duas metáforas de formação de identidade: o ato de encontrar o que já existe aí (Filosofia existencialista) e o ato de criar elementos (Filosofia Essencialista)
Para os Existencialistas, o ser vem do nada e as pessoas fazem escolhas sem critério externo. Para os Essencialistas, ser e forma surgem juntos e as pessoas fazem escolhas por reconhecer potenciais e utilizá-los. Ele prosseguiu descrevendo a formação de identidade efetiva:

  1. Identificação dos potenciais pessoais, pelos quais a exposição à uma vasta gama de alternativas aumenta a probabilidade de sucesso.
  2. Desenvolvimento dos potenciais pessoais aliados ao trabalho persistente, o qual é sustentado não pelo hedonismo, mas pelo senso eudemônico de ser quem devemos ser.
  3. Determinação de metas pelas quais as habilidades podem ser direcionadas.
  4. Descoberta de oportunidades dentro de nosso contexto social para fazermos escolhas de significado.

Laura King: Percebendo Significado na Vida Dia a Dia: Prazer, Intuição, e Mágica.

A professora de psicologia Laura King fez sua palestra no banquete de Sábado, após a apresentação dos prêmios dos estudantes  e aos três ganhadores do Prêmio de Excelência, Lifetime Achievement Award (Emmy van Deurzen, Chris Peterson, e Richard Ryan). Amei o humor de King e seu senso comum realista.

King reclamou que seu problema com a psicologia positiva é que as metas são modificadas. Antes era ok ser feliz; agora temos que florescer. Significado é reconhecido como adaptativo e importante, mas descrito de maneira que o faz parecer inacessível à todos, com raras exceções. Em contraste, e se o significado for quase uma parte inescapável da vida diária?

King apontou que falamos sempre sobre o significado quando este está quebrado. O significado vem de observarmos conexões e padrões no mundo ao nosso redor. Quando ocorre a adversidade, aquelas conexões e padrões parecem desintegrar. É então que as pessoas buscam por significado. As pessoas não têm que buscar por significado em eventos positivos. Ele já está lá.

King continuou a contrastar o Sistema 1 e Sistema 2 de saber sobre o significado. O Sistema 1 é a operação intuitiva automática do cérebro que sabe sem perguntar porque, e é facilitado pelas emoções positivas. O Sistema 2 seria a parte analítica reflexiva do cérebro que quer saber porque, e é facilitada pelas emoções negativas. O Sistema 1 nos traz significado em termos de sentimentos intuitivos de padrão no ambiente.

A felicidade e significado estão altamente correlacionados e poderiam quase ser a mesma coisa. Quando as pessoas estão de bom humor, a vida parece ter significado para elas. Um sentimento de significado nos diz que podemos extrair associações confiáveis do mundo ao nosso redor, o que é um estado adaptativo para todas as criaturas. Nós humanos não apenas experienciamos o significado, mas também nos sentimos experienciando significado.

King descreve experimentos em seu laboratório, os quais exploram a conexão entre perceber padrões e sentir que a vida tem significado. Em um experimento, as pessoas viram diversos jogos de quatro fotos, cada foto mostrando uma árvore em uma estação diferente. Um grupo de participantes sempre viu as árvores na ordem das estações (Primavera-Verão-Outono-Inverno). O outro grupo viu as árvores arranjadas em ordem aleatória. Aqueles que viram a apresentação das estações em ordem tiveram pontuação mais alta nas avaliações de significado em suas vidas. Ela conduziu o experimento novamente com três grupos. O terceiro grupo viu todos os jogos de fotos na mesma ordem, mas não na ordem das estações (ex., Inverno-Primavera-Verão-Outono). Os participantes do terceiro grupo também avaliaram o significado de suas vidas como sendo maior do que aqueles do grupo que viu as apresentações aleatórias.

Portanto, talvez o significado não seja tão difícil de ser encontrado quanto as pessoas pensam.
 


 
 

Hicks, J.A., Trent, J., Davis, W. & King, L. A. (in press). Positive affect, meaning in life, and future time perspective: An application of Socioemotional Selectivity Theory. Psychology and Aging.

King, L. A. (2010). The Science of Psychology: An Appreciative View. McGraw-Hill.

Marcia, Waterman, Matteson, Archer & Orlofsky (1993, 2012). Ego Identity: A Handbook for Psychosocial Research. Springer.
Przybylski, A. K., Rigby, C. S., & Ryan, R. M. (2010). A Motivational Model of Video Game Engagement.Review of General Psychology, 14 (2), 154–166.

Ryan, R. M., Bernstein, J. H., & Brown, K. W. (2010). Weekends, work, and well-being: Psychological need satisfactions and day of the week effects on mood, vitality, and physical symptoms. Journal of Social and Clinical Psychology, 29, 95-122.

Shmotkin, D. (2005). Happiness in the Face of Adversity: Reformulating the Dynamic and Modular Bases of Subjective Well-Being. Review of General Psychology, 9 (4), 291–325.

Shmotkin, D. (2010). The pursuit of happiness: Alternative Conceptions of subjective well-being. In L. W. Poon & J. Cohen-Mansfield, Understanding Well-Being in the Oldest Old (pp. 27-45). Cambridge University Press.

Schlegel, R. Hicks, J. A., King, L. A. & Arndt, J. (2011). Feeling like you know who you are: Perceived true self-knowledge and meaning in life. Personality and Social Psychology Bulletin, 37, 745-756.

Waterman, A. S. (2011). Eudaimonic identity theory: Identity as self-discovery. In S. J. Schwartz, K. Luyckx, & V. L. Vignoles (Eds.). Handbook of Identity Theory and Research(pp. 357-379). New York: Springer.

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