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Me Veja Lindo/a, Cultivando Forças em Crianças Pequenas

por em 01/10/2012 – 6:08 pm  Nenhum comentário
 

Elizabeth Elizardi, MAPP '10, é mãe, coach, consultora educacional, e fundadora do Strengths Hub, LLC, uma comunidade online de pais. Construindo sua experiência como mãe, educadora, formada do MAPP, e colaboradora online para Psychology Today, Elizabeth espera construir uma rede internacional de pais que florescem, cultivam e exercitam estratégias para o aumento do bem estar enquanto criam seus filhos. Bio Completa. Os artigos da Elizabeth para PositivePsychologyNews.com estão aqui.



Estava jantando com meu marido e duas filhas, da idade de sete e quatro anos, quando fui bombardeada por uma rivalidade entre as irmãs. Por ter duas filhas muito energéticas, o que começa como uma simples brincadeira pode rapidamente se tornar um caos, se deixado sem direcionamento.

Irmãos

No meio da batalha, uma palavra dita fez com que a mesa toda parasse em descrença: “Estúpida”. Essa é uma daquelas palavras que muitos pais proclamam ser palavrão, palavra-nunca-a-ser-pronunciada-dentro-destas-paredes. Roubei esse momento ensinável como um bandido e o acenei em frente das minhas filhas. O que se revelou em meio ao redirecionamento foi uma discussão fascinante sobre pessoas e sua bondade inerente.

Fui rápida em apontar que não há pessoa “estúpida” porque todo ser humano é capaz de bondade e todo ser humano tem algo bom dentre de si. Eu quis que minhas filhas compreendessem que há forças e beleza em todos nós. Só precisamos garimpar as coisas boas. Uma das histórias mais inspiradoras sobre o poder de acreditar na bondade humana é a estória de Tayyab Rashid sobre como encontrar forças no trauma. Com sua vida em risco, ele perguntou aos assaltantes, “No que você é bom?”, e sua vida foi poupada.

Minhas filhas estavam se comportando como muitos de nós nos comportamos enquanto interagimos com outras pessoas no mundo. Elas estavam apontando as fraquezas uma da outra, o que estava errado, o que as incomodava na outra, em vez de reconhecer o que está certo, bom, e forte. O quanto é fácil deslizar na ladeira escorregadia de “estúpido”.

Durante os últimos meses tenho visto   inúmeras postagens na lista de servidores sobre psicologia positiva, assim como grupos no Lindedln e Facebook perguntando sobre mensuração confiável de forças de caráter em crianças pequenas. Como coach de paternidade e terapeuta de Psicologia Positiva, acredito que a medida para identificar as forças de caráter das crianças com idade entre três e nove anos é discutida no estudo de 2006 de Park e Peterson, Character Strengths and Happiness in Young Children, (Forças de Caráter e Felicidade em Crianças Pequenas). Nesse estudo as descrições escritas pelos pais de crianças com idade entre 3 e 9 anos foram analisadas para a presença das 24 forças de caráter VIA assim como o nível de felicidade das crianças.

Os achados do estudo mostram que amor, energia, e esperança estavam associados com felicidade em crianças muito pequenas, e gratidão estava associada à felicidade em crianças mais velhas. As forças mais comuns identificada pelos pais foram: amor, bondade, criatividade, e humor, enquanto as forças mais incomuns foram: autenticidade, gratidão, modéstia, perdão, e mente aberta. Talvez algumas forças necessitam de maior maturidade psicológica para se tornarem evidentes.

Em um estudo de acompanhamento, Park e Peterson descobriram uma convergência modesta entre as forças de caráter dos pais e dos seus filhos, a qual também foi validada por um estudo relacionado de 2007 sobre influências ambientais e genéticas de traços positivos do VIA por Steger e colegas. Enquanto certas forças de caráter, tais como esperança, entusiasmo e amor são fortes em crianças pequenas, elas nem sempre permanecem fortes.

Dado o fato de a genética e o ambiente exercerem um papel importante no desenvolvimento do caráter das crianças, como você pode identificar, cultivar, e apoiar a constelação única das forças de seu filho?

Percebendo Forças

Os Benefícios

Por que faz diferença? Pense em como você se sente quando lhe é dada a liberdade para usar suas forças e como é quando outras pessoas reconhecem o que está certo com você. Você não gostaria disso para seus filhos? Mas saber, identificar, e cultivar forças em seus filhos pequenos vai além de apenas bons sentimentos. Isso tem um efeito positivo no bem estar mental e emocional, e mitiga o risco de ansiedade e depressão em anos posteriores. Também é benéfico para você e seus filhos pelas seguintes razões:

  • Identificar forças em seus filhos ajuda você a cultivar sua apreciação por eles e seus talentos únicos de caráter.
  • Utilizar suas lentes para forças capacita você a encontrar as coisas boas e evitar pensamentos permanentes e arraigados sobre as áreas problema. Isso mantêm você otimista.
  • Seus filhos começarão a desenvolver uma identidade ou senso de propriedade com as forças, “Isso é como sou”, e “Isso é o que me faz único e especial”.
  • Você irá modelar uma compreensão de que todos teem potencial e todos possuem bondade inerente.
  • A autoeficácia de seus filhos aumentará quando você lhes instigar a crença de que eles são competentes, confiantes, e capazes de alcançar suas metas. Você se tornará o “outro persuasivo”.
  • Usar as forças para criar emoções positivas em você e seu filho, reabastecendo a fonte interna de recursos para situações desafiadoras.

Identificação

Se Park e Peterson estão certos sobre a documentação de paternidade ser uma medida confiável para identifição de forças, por onde começamos?

  • Observando o brincar

    Olhe as crianças brincarem. A melhor maneira de identificar forças em crianças de dois e três anos de idade é observar cuidadosamente enquanto elas estão brincando com outras crianças. Ouça e faça a identificação das forças.

  • Reflita sobre as experiências de pico das crianças. Houve momentos dos quais você se lembra quando seus filhos foram o melhor de si ou estavam em flow? Quando ou onde cada criança brilha?
  • Faça aos professores de seus filhos ou aos cuidadores perguntas como, “Quais são as forças deles?” ou “Como você os descreveria?”.
  •  Exponha seus filhos a uma variedade de atividades, tais como dança, música, arte, literatura, esportes, e natureza – e não apenas àquelas que você costuma gostar. Veja se há alguns elementos dentro dessas atividades que realmente acendem a chama. Em seu artigo, Desenvolvendo a Automotivação, Eleanor Chin descobriu por acidente que sua filha tinha paixão por arco-e-flecha.
  • Imagine a si mesma/o fornecendo um relatório de pais, tal como aquele nos estudos de Park e Peterson. Quais seriam suas respostas se lhe fosse pedido para preencher um questionário com perguntas sobre seu filho, tais como, “Nomeie as forças de seu filho”, ou “O que seu filho faz realmente bem?”
  • Ouça as estórias deles. As crianças nos dão pistas sobre a maneira como percebem o mundo nas estórias que nos contam. Crie espaço para conversas e contação de estórias durante o jantar, no carro, e na hora de dormir. Ouça as forças em ação. Perceba as dicas quando eles estiverem compartilhando o dia deles com você, e aponte as forças que você ouve em suas palavras.

Verde e Crescendo

Cultivo

Quando você planta um novo jardim, começa com terra fértil. As forças são solo fértil, e as atividades abaixo são as sementes que irão florescer em um lindo e exuberante ambiente. A seguir algumas maneiras de manter o jardim crescendo:

  • Tenha um Jantar das Forças. Vamos fazer de conta que uma das maiores forças de seu filho é a gratidão. Celebre a força dele/dela uma noite ao escrever um cartão com elogios sobre como ele/ela mostrou gratidão aquela semana, e deixe o cartão no lugar dela/dela.
  • Pratique a Identificação das Forças. Tenha conversas sobre como as forças de seu filho se mostram na vida diária.
  • Ajude seus filhos a usarem as forças deles de maneiras novas. Faça uma lista com cada criança de todas as atividades que ele ou ela pode realizar durante qualquer semana as quais ativariam as maiores forças. Mantenha a lista visível e os encoraje a tentar uma nova atividade a cada dia.
  • Colecione comentários sobre as forças de cada um. Coloque uma toalha de mesa branca na mesa de jantar e peça a todos na família para escrevê-los na toalha com uma canetinha de tecido.
  • Crie cartões com situações e pergunte: o que você faria se?
  • Fale a linguagem. Já mencionei em artigos anteriores que minha família e eu usamos Cartões de Virtudes em uma base semanal. Visite O Projeto das Virtudes, Virtues Project,  e adquira um kit para usar com sua família. Faça uma escolha semanal de virtudes. Na hora do jantar ou de dormir, discuta como a virtude se parece e como ela soa. Fale sobre onde aquela virtude aparece em suas vidas.
  • Faça uma Parede de Forças no quarto de cada criança. Colecione artefatos que demonstrem as forças daquela criança.
  • Faça um Jornal de Forças para os pais e filhos.
  • Crie um Portfólio Positivo. Pegue uma caixa de Madeira especial para cada criança e os deixe decorar sua própria caixa. Encoraje-os a colecionar artefatos que os lembrem de seu melhor.
  • Crie um Livro de Estórias de Forças. Cole fotos da vida real em papel branco e desenhe linhas em baixo. Ajude seus filhos a escreverem estórias sobre suas vidas e falarem sobre suas forças.
  • Compartilhe estórias de forças na literatura infantil. Encontre livros com imagens ou capítulos de livros com personagens que incorporam forças específicas e os compartilhe com seus filhos.

Identificar e cultivar as forças em seus filhos inspira a apreciação por quem eles são e acende o senso deles de possibilidades. Como uma comunidade de Psicologia Positiva, podemos começar cedo e prevenir a idade média de ansiedade e depressão em espiral de queda. Considero apropriado concluir esse artigo com uma canção de Red Grammer. Imagine um mundo onde toda criança fosse reconhecida por suas forças únicas. Isso seria certamente lindo.

Me Veja Lindo/a por Red Grammer

Me veja lind/a
Procure o melhor em mim
Isso é o que realmente sou
E tudo que quero ser
Pode levar algum tempo
Pode ser difícil encontrar
Mas me veja lindo/a
Me veja lindo/a
A cada e todo dia
Você arriscaria
Você encontraria uma maneira
De me ver brilhar
Em tudo que faço
E me ver lindo/a

Referências:
Peterson, C., (2006). A Primer in Positive Psychology. New York, NY: Oxford University Press.

Peterson, C., Park, N. (2006a). Character Strengths and Happiness among Young Children: Content Analysis of Parental Descriptions. Journal of Happiness Studies, 7Journal of Research in Personality, 41, 524-539.

Rashid, T. (2011). Using Strengths at a Time of Trauma. YouTube video, VIA Strengths Library.

Steger, M. F., Hicks, B. M., Kashdan, T. A., Krueger, R. F. & Bouchard, T. J. (2007). Genetic and environmental influences on the positive traits of the Values in Action classification, and biometric covariance with normal personality. Journal of Research in Personality, 41, 524-539.

Fox Eades, J. (2008). Celebrating Strengths: Building Strengths-based Schools. UK: Capp Press.

Imagens
Siblings (Young and beautiful) courtesy of zilverblat
Innocence courtesy of Julien Charpentier
Group of children courtesy of Renee Barron
Watching children play courtesy of NeilsPhotography
Eat Your Greens courtesy of Angela Sevin

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